quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A I Guerra Mundial e o nascimento de um breve século

"A guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas num lapso de tempo durante o qual o desejo de rivalizar através de batalhas é suficientemente conhecido."
Thomas Hobbes - Leviathan

Por muito tempo, a I Grande Guerra foi escondida vista como um ato de heroísmo e sacrifício. Mas não se iludam, meus amigos: o primeiro conflito mundial foi um choque entre duas civilizações, cada uma decidida a aniquilar, exterminar e mandar pro quinto dos infernos a outra. Nesse sentimento bonito e recíproco, você acredita mesmo que exista algum "guardião do mundo", como estudado até poucos anos?

Como vocês leram em "Os donos do mundo e a expansão do Imperialismo", (...) Como é? Não leu? É a postagem anterior. Duas postagens em dois dias... não estranhem (nem acostumem). Vai dar uma lida rapidinha que eu espero. (...) as tensões na Europa aumentavam. E vocês sabem como é briga de gente grande! Iniciou-se uma corrida armamentista utilizando como teste a Ásia e a África, o que ~ajudou~ as potências a manterem seus controles neo-coloniais. Além disso, houve a unificação da Alemanha e da Itália nesse meio tempo. Por ser um processo tardio, se comparado aos outro países do velho mundo, essas novas nações se viram prejudicadas na "nova" doutrina imperialista, uma vez que controlavam territórios menores e menos ricos.

A Alemanha pós unificação se desenvolveu monstruosamente rápido. Logo tornou-se uma potência, desenvolveu tecnologias mais avançadas, com produtos de qualidade superior aos ingleses. A concorrência se estendia à esfera financeira: os empréstimos alemães eram mais vantajosos que os dos banqueiros britânicos. Mas não, meus amigos! Não foi nada isso que deixou a Inglaterra rodando a baiana! Sinta o drama: o Império Alemão decidiu que iria se tornar uma potência naval. Mas quem era mesmo a rainha dos mares? Isso mesmo (vocês tão bons nisso, né?! sem nenhuma ajuda!). Pois é, só que a Alemanha tinha muito mais tecnologia e cada aperfeiçoamento britânico logo era copiado e aperfeiçoado. Quer dizer: a Alemanha deixa de ser uma concorrente e passa a ser uma ameaça à Inglaterra.

Nesse meio tempo começou a política das alianças, na qual foram formadas a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália) e Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia). Você pode ou não estar se perguntando: Inglaterra e França aliadas? Sim, meus caros. A França perdera os territórios da Alsácia-Lorena para a Alemanha e a Inglaterra estava perdendo tudo pra Alemanha (Alemanha em todas). Não se tratava mais de uma briguinha besta de desde que o mundo é mundo entre franceses e ingleses, mas de uma ameaça dos dois virarem uns zé ninguém no cenário mundial. Agora tudo faz sentido, não é?

Com tudo isso, surgiram doutrinas ufanistas, ou seja, de nacionalismo exacerbado, xenofobia e idealização da expansão territorial. Teve a Sérvia querendo anexar a Bósnia-Herzegovina (alguém aqui estudou com Maria Luíza no IF?), a Rússia querendo ser líder e ~proteger~ os eslavos no Pan-eslavismo, os germânicos querendo ficar juntinhos no Pan-germanismo, e mais um monte de frangagens.

Nesse momento bonito em que todos querem matar todos, acabam matando é o herdeiro do trono Austríaco, Franz Ferdinand (e não, não é aquela banda que toca Take Me Out. tá em inglês por quê é mais bonitinho que Francisco Ferdinando). E foi o pretexto que queriam para começar a brincadeira guerra.

De 1914 à 1916 não tem muito o que falar da guerra, não. Foi uma coisinha muito sem graça, sem nenhuma perspectiva de fim. Só tem a Itália que, como uma boa gilete, troca de lado pra ver se ganha alguma coisa (colônias). A partir de 1917 é que as coisas começam a se definir. A Rússia sai da guerra porque já tem a sua própria (Revolução Russa). Assina um tratado de nome difícil (Brest-Litovsk), cede umas terrinhas, reconhece umas independências e pega o beco.

Os Estados Unidos, bem quietinho em seu lugar, apenas se beneficiando do bafafá que tava acontecendo na Europa, entra na guerra. Muito despretensioso, como lhe é peculiar, até então vendia mantimentos, armas e tudo o que os desgraçados do outro lado do mar precisassem. E com sangue novo, finalmente a Entente vence a guerra em 1918.

Mas não, meus amores, a História não acaba por aqui. Os vencedores da I Guerra Mundial fazem um acordo com a Alemanha, o Tratado de Versalhes, o qual a mesma assina por livre e espontânea pressão. Nesse ~acordo~, os alemãs são punidos severamente, uma vez que reconhecem que causaram o conflito. Nas consequências disso, pagam altississíssimas indenizações, devolvem territórios e reduzem seu exército apenas para o controle dos civis. Os austríacos também não ficam de fora. Têm seu Império desmembrado.

No fim de tudo, o conflito que traria paz para o Velho Mundo trouxe foi mais reboliço. A Europa, arrasada pela guerra, deixa de ser  foco das decisões mundiais, que passam para os Estados Unidos. Esses souberam aproveitar bem a desgraça alheia e cresceram muito. A Itália, que venceu mas não teve os benefícios que esperava, e a Alemanha, reduzida à segunda pessoa depois de ninguém, começam seus regimes totalitários e revanchistas que dão origem à II Grande Guerra (já percebeu que a Alemanha sempre começa tudo?). Em suma: o conflito que traria paz para o mundo trouxe foi mais guerra.

4 comentários:

  1. Quem não gosta da Alemanha, bom sujeito não é, só digo isso! HAHAHA

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  2. Eu gosto da Alemanha. Portanto, boa sujeita sou.

    PS: valeu pelo toque. Tinha escrito errado mesmo =B

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  3. deixem de ser imbecis seus abestados bom sujeito sou, mal sujeito sou, ai que chatice fala serio..................

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