terça-feira, 16 de agosto de 2011

Da Revolução à Bonaparte: uma breve(?) História francesa (II)

Tá, eu sei: em uma semana Sherazade já teria morrido. Mas perdoem-me. Perdoem essa pobre coitada! Perdoada ou não, continuemos nossa História.

Os processos revolucionários criaram na França um clima de tensão. A burguesia, insatisfeita com o governo jacobino, toma o poder em 1799, num golpe de estado conhecido como "18 de Brumário". Esse golpe marca o início do governo girondino burguês, liderado por Napoleão Bonaparte.

A Era Napoleônica foi dividida em três partes: Consulado (1799-1804), Império (1799-1804) e Governo dos Cem Dias (1815). Para facilitar nosso estudo, dividiremos nossos trabalhos nessas três fases.

O governo do Consulado foi instaurado logo após a queda do Diretório. Com caráter republicano-militar, o poder executivo era partilhado por três cônsules, entre eles o próprio Napoleão. Entretanto, essa divisão era puramente formal, uma vez que  mesmo era quem possuía a maior influência. Por essa razão, Bonaparte é eleito Primeiro-Cônsul da França.

Nessa fase, a burguesia se torna o grupo central francês. A forte censura à imprensa, o desmanche da oposição e a ação violenta por parte dos militares puseram em questão os ideias revolucionários de "liberdade, igualdade e fraternidade". Vários feitos foram realizados, principalmente, em prol da nova elite, como, por exemplo:
  • Fundação do Banco da França, com o objetivo de estabilizar a economia através da criação e emissão de moeda própria (franco) e controle da inflação;
  • Direito à propriedade privada;
  • Distribuição de terras (inclusive da Igreja);
  • Igualdade perante à lei;
  • Elaboração da Concordata entre a Igreja Católica e o Estado, dando à este a posse das terras da Igreja e participação na escolha de novos bispos. Em troca, o governo daria um auxílio financeiro à mesma;
  • Início da industrialização e proteção alfandegária.
Essas medidas e o novo modo de governar agradaram à elite francesa e, com o apoio da mesma, elevaram ao cargo de Cônsul Vitalício Bonaparte, em 1802.

Em 1804, foi realizado um plebiscito na França em que, com a grande maioria dos votos, foi aprovado um "novo" modelo de governo, a monarquia (lembram-se vocês que o retetê todo ocorrido há cerca de 30 anos foi para retirar o regime monárquico, né? se não lembra, corre! vai ler o post anterior, eu espero. pronto? então continuemos). Nesse período, o grande destaque vai para a política expansionista, em busca, principalmente, de mercados consumidores da nova indústria francesa.

Tudo muito lindo, todo mundo feliz, né? NÃO. Uma coisa ainda atrapalhava a plenitude do sucesso francês: a Inglaterra. "Bobocas ingleses!", pensou Bonaparte, "Vou proibir todos de comercializarem com aquele paizinho de nada". Agora, vocês devem estar se perguntando: QUE ENVERGADURA MORAL ELE TEM PRA FAZER ISSO? (se não tiverem perguntado, ao menos finjam pra me deixar feliz). E eu te respondo: "elementar, meu caro Wattson" (ops, isso é inglês) talvez o mais poderoso exército de toda a Europa?! Praticamente todos os países aderem ao Bloqueio Continental. Uma das poucas exceções é Portugal que, na iminência da invasão francesa, transfere, com o auxílio da Inglaterra, sua corte para sua maior colônia: o Brasil

A Rússia também descumpriu o Bloqueio Continental. Napoleão e seus homens marcharam para lá, mas foram derrotados pelo rigoroso inverno e pelo desconhecimento do território. Além disso, conspirações de um novo golpe chegaram aos ouvidos do imperador, que voltou rapidamente à França. Após esses fatos, temos a luta de uma coligação européia formada contra Napoleão. Com a Capitulação de Paris, Bonaparte abdica e é exilado na Ilha de Elba.

Mas a História não acaba aí. Aproveitando seu enorme poder persuasivo, Napoleão consegue fugir, formar um exército e reconquistar a França, período conhecido como Governo dos Cem Dias. Começou a invadir a Bélgica, mas foi derrotado e exitado, pela segunda vez, na Ilha de Santa Helena, em 1815, onde morreu em 1821" de morte natural" (suspeita-se de envenenamento).

Assim, chega ao fim uma breve(?) História francesa.

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